sábado, 18 de outubro de 2008

Educação

Em um debate sobre educação na disciplina Políticas Educacionais Brasileiras as discussões giravam em torno de críticas às políticas adotadas pelo atual governo no campo da educação brasileira. Eu ansiosamente esperava minha oportunidade de falar pois achava as posições tomadas até então não irrelevantes mas simplórias mediante a grandiosidade do tema discutido: Educação e Qualidade. A mesmice de colocações copiadas de manuais do tipo: "Como educar jovens " ou "Os 10 passos para uma educação libertária" foi quebrada por uma colocação óbvia para poucos de que a educação e a qualidade pretendida é utópica. Lidar com a formação de mentes atuantes na realidade brasileira ou de qualquer outra esperando no futuro uma sociedade homogênea quanto aos seus valores é utopia. Não que não devamos acreditar no poder da escola, sim acreditemos, mas é preciso ter os pés no chão. Muitos livros de Pedagogia tratam a educação de forma romântica, linda, tranquila e simétrica. Mentira! Esse produto nos é vendido desde cedo e acreditamos em sua eficiência.

A nossa crença no modelo de educação atual, é a ratificação da perpetuação dos valores que a classe dominante quer que sejam passados para as novas gerações com o ônus da imobilidade cultural e social semeando o analfabetismo funcional e a ignorância política.

A educação precisa ser encarada pelos futuros educadores como uma arma de castração, de docilização dos seres que assinam quando nascem seu contrato social onde comprometem-se a seguir os preceitos e regras de determinada sociedade. Deixemos a visão romântica para os apaixonados e poetas românticos. Não que não seja importante aprender sobre os costumes e valores de nossa sociedade mas é exigido do educador postura que desperte em seus alunos uma visão crítica e sensível a essas peculiaridades. Aprendemos sim , mas temos o poder de decidir o que é bom ou não para nós sem que tudo nos seja imposto por manuais de boas maneiras. Apresentar aos futuros formadores de opnião o poder de decisão que lhe é nato e gratuito.

A educação não liberta, ela oprime, castra, ofende e semeia o preconceito. A maioria dos educadores atuais atuam como carcereiros de mentes e nem se dão conta disso. É como a gramática normativa que exclui o bom falar no cotidiano nordestino e carioca como se todos fossem obrigados a segui-la. Viva o bom falar do povo brasileiro! Viva suas diferenças! Viva a Linguística! A maior de nossas semelhanças está na diferença. Somos todos diferentes e por isso iguais. Não podemos deixar que digam o que é relevante para nós .

Afinal o que é qualidade? Quem define o que é bom? Quais os parâmetros usados?

O conceito de qualidade varia de pessoa pra pessoa. O que é irrelevante para uma pessoa pode ser de extrema relevância para outra. Portanto definir o que é qualidade educacional baseado na opinião de uma minoria burguesa é um tremendo erro. Educação não tem de ser igual em todos os lugares de nosso país. O povo precisa que ela seja diferente para encontrar funcionalidade no que aprende .

Enquanto a mentalidade romântica não mudar a educação continuará a aprisionar mentes e os educadores a serem carcereiros. Afinal, nada muda se eu não mudar, e a mudança acontece de dentro pra fora, reciclando mentes e recriando conceitos e não delegando regras de cima pra baixo como acontece em nossa sociedade.



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